A TV Digital finalmente começa no Brasil. E, até agora, que balanço pode ser feito de tudo isso? Vamos por tópico:
Padrão - a decisão parece ter sido boa do ponto de vista das atualizações tecnológicas que permite, por termos incrementado as tecnologias mais avançadas que existem. Isso gera orgulho e traz uma boa imagem ao País. Entretanto, essas escolhas não favoreceram o preço. Está alto ainda (entre 500 e 1100 reais o conversor) e ainda nem inclui o sistema de interatividade.
Preparação – tudo foi definido muito rápido. A pressa desde que foi definido o padrão japonês como base (que também levou um tempão até sair) foi visível. Representantes da indústria argumentam que precisariam de mais um ano para fazer os testes adequados dos produtos. Isso significa que o que está no mercado não está totalmente pronto para o consumo. Por isso, volto a recomendar (o Procom e outros órgãos e executivos fizeram o mesmo): não compre nada ainda. Resista e você poderá pagar menos e ficar mais feliz.
Informações – como definições de padrão tecnológico e outros itens só ficaram prontas depois da metade do ano, a indústria e emissoras tiveram de se concentrar fortemente em si mesmas e não conseguiram olhar para público como deveriam. Eu cubro esse assunto há mais de um ano, mas a grande imprensa só se dedicou em explicar com cuidado alguma coisa para os telespectadores nas últimas duas semanas. A campanha de televisão preparada pelos integrantes do Fórum Nacional de TV Digital exibida desde 03 de outubro não foi suficiente. Além disso, surgiram itens que a imprensa não conseguiu explicar, porque ainda não estavam definidos. A questão dos assinantes de televisão a cabo é um bom exemplo. Eles ainda estão em conversas com as emissoras de televisão aberta para garantir que o sinal das tevês abertas chegue realmente em alta definição mesmo depois de passar pelas retransmissoras.
Novos itens - além do conversor, o consumidor descobriu que precisa de uma antena. No início, ela vem de brinde, mas depois isso não está garantido.
Lojas – os vendedores também não foram preparados com antecedência. Cansei de ver pessoas comprando televisores LCD achando que a partir do dia 02 estariam preparadas. Nada disso. O lançamento da TV Digital no Brasil vai gerar muita frustração, o que podia ser evitado, já que foi exatamente o que aconteceu na maioria dos outros países.
Para ninguém – esse é um ponto em que eu discordo veementemente dos comentários. Li diversas reportagens que me lembraram jornalismo picareta dizendo que a televisão digital vai estrear para ninguém. E daí? Quando Chateaubriand iniciou as transmissões da TV Tupi teve de “comprar do seu bolso” (Se você leu a biografia de Fernando Moraes vai entender as aspas) aparelhos de televisão e trazê-los ao Brasil e garantir alguma audiência. Alguém precisa começar. Quando virem as imagens de alta definição e quando novos recursos e serviços forem oferecidos, a adesão vai aumentar. Além disso, o ministro Hélio Costa disse que as vendas essa semana foram bastante positivas e que passaram da casa dos milhares logo no primeiro dia.
Preço – é alto, mas eu ainda me pergunto se esse é um ponto negativo. Todo o mundo já foi alertado de que o preço vai cair em breve. A indústria vive também desses consumidores desesperados que não conseguem esperar e literalmente pagam qualquer preço. Um executivo da Samsung chegou a me dizer que acredita que muitas pessoas vão receber televisores com receptor embutido em casa, sem nem perguntar o preço. Portanto, não vale criticar com ferro e fogo agora. Vale fazer o protesto “não comprando”.
Interatividade – Por enquanto, nada. Isso é um ponto negativo. O item mais brasileiro do pacote não estréia na data prevista. Os criadores dizem que está pronto, mas não comercialmente e as minhas tentativas de entender o que exatamente isso significa foram frustradas. A expectativa, no entanto, é de que esteja nos conversores no segundo semestre do ano que vem. Dependendo do que for possível com isso, pode ser bem legal. E pode inclusive ajudar a dar uma revigorada na programação das emissoras.
O balanço, portanto, não é negativo. Se tivesse de dar uma nota de zero a dez para a condução do processo de lançamento da TV Digital no Brasil, pensaria em seis. É moderno, é interessante, parte dos prazos foram cumpridos e se aproxima do perfil de consumo dos brasileiros, já que tem mobilidade e alta definição ao mesmo tempo. Entretanto, deixou a desejar pela burocracia nas definições, produtos lançados sem testes apropriados e, o principal, alto custo. O que importa é que, pelo menos, despertou interesse. Esse blog mesmo viu subir bastante o número de acessos, assim como pode se ver que as notícias sobre o tema sempre se destacavam entre as mais lidas em sites para grande público e também os direcionados. Você, por exemplo, se leu até aqui, é porque deve estar bastante ansioso, curioso e interessado.