Durante muito tempo, jornais anunciaram que havia a possibilidade de criar um padrão brasileiro de TV Digital. Eu mesma me frustrei com o anúncio da opção do governo Lula pela base japonesa em março de 2006. Entretanto, quando começei a trabalhar com TI, descobri o engano que gerou a falsa expectativa.
Nunca se pensou em criar um padrão próprio. Nunca, dizem os envolvidos, como Maurício Neves, chefe do departamento de indústria eletrônica do BNDES. Poucas pessoas sabem que existe uma grande diferença entre sistema e padrão de TV Digital. Conforme escreveu o jornalista Ethevaldo Siqueira, em um Manual sobre TV Digital elaborado para consumidores finais e patrocinado pela Gradiente, “sistema é o conjunto de padrões”. A essência do padrão de TV Digital que usaremos, portanto, é japonesa e somente alternou na fase de decisão entre as opções européia, norte-americana e a que foi escolhida.
Como afirmou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a intenção não é reinventar a roda. O que se pensou para o País é um Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que se harmoniza com o padrão oriental e compõe um modelo enriquecido e com evoluções, como a adoção da tecnologia de compressão de som e imagem MPG4 (só usada até agora no Brasil).
Inclusive, apesar de inúmeros debates e acusações de que a decisão pelo padrão japonês foi política – e pode TAMBÉM ter sido –, muitos dos participantes do Fórum Nacional de TV Digital defendem a escolha, principalmente pelo que chamam de robustez tecnológica e flexibilidade.
Como demonstração de avanço, os japoneses já convidaram o Brasil para incluir as melhorias e contribuições nacionais ao padrão do Japão de TV Digital, registrado no ITU (União Internacional de Telecomunicações, do inglês), o que dá margem para o País vender nossas contribuições para nações que ainda não tem TV Digital. A principal vantagem é organizar e sintonizar as criações e inovações para influenciar o mercado. “A intenção dos japoneses é aproveitar os avanços brasileiros – já que chegamos por último e incrementamos modernizações – para tirar proveito disso economicamente”, explica Jakson Alexandre Soza, presidente da RF Telavo. O que resultou desse negócio melhorado, enfim, foi a perspectiva de oferta global de um padrão nipo-brasileiro. Apesar de faltarem poucos países para adotar o sistema, as perspectivas de negócios parecem interessantes.