Posts de Junho, 2007

Padrão japonês, sistema brasileiro

Junho 29, 2007

Durante muito tempo, jornais anunciaram que havia a possibilidade de criar um padrão brasileiro de TV Digital. Eu mesma me frustrei com o anúncio da opção do governo Lula pela base japonesa em março de 2006. Entretanto, quando começei a trabalhar com TI, descobri o engano que gerou a falsa expectativa.

Nunca se pensou em criar um padrão próprio. Nunca, dizem os envolvidos, como Maurício Neves, chefe do departamento de indústria eletrônica do BNDES. Poucas pessoas sabem que existe uma grande diferença entre sistema e padrão de TV Digital. Conforme escreveu o jornalista Ethevaldo Siqueira, em um Manual sobre TV Digital elaborado para consumidores finais e patrocinado pela Gradiente, “sistema é o conjunto de padrões”. A essência do padrão de TV Digital que usaremos, portanto, é japonesa e somente alternou na fase de decisão entre as opções européia, norte-americana e a que foi escolhida.

Como afirmou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a intenção não é reinventar a roda. O que se pensou para o País é um Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que se harmoniza com o padrão oriental e compõe um modelo enriquecido e com evoluções, como a adoção da tecnologia de compressão de som e imagem MPG4 (só usada até agora no Brasil).

Inclusive, apesar de inúmeros debates e acusações de que a decisão pelo padrão japonês foi política – e pode TAMBÉM ter sido –, muitos dos participantes do Fórum Nacional de TV Digital defendem a escolha, principalmente pelo que chamam de robustez tecnológica e flexibilidade.

Como demonstração de avanço, os japoneses já convidaram o Brasil para incluir as melhorias e contribuições nacionais ao padrão do Japão de TV Digital, registrado no ITU (União Internacional de Telecomunicações, do inglês), o que dá margem para o País vender nossas contribuições para nações que ainda não tem TV Digital. A principal vantagem é organizar e sintonizar as criações e inovações para influenciar o mercado. “A intenção dos japoneses é aproveitar os avanços brasileiros – já que chegamos por último e incrementamos modernizações – para tirar proveito disso economicamente”, explica Jakson Alexandre Soza, presidente da RF Telavo. O que resultou desse negócio melhorado, enfim, foi a perspectiva de oferta global de um padrão nipo-brasileiro. Apesar de faltarem poucos países para adotar o sistema, as perspectivas de negócios parecem interessantes.

Certeza duvidosa

Junho 28, 2007

Durante coletiva de imprensa da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), o diretor-executivo do grupo, Alexandre Annenberg, juntamente com dois colegas, negou com energia qualquer possibilidade de perda de mercado causada pela concorrência da TV Digital.

O complicado é acreditar nisso, ainda mais diante do comentário complementar do coordenador do comitê de marketing publicitário da ABTA, Alberto Nicolli, que diz que a TV Digital vai inclusive favorecer a TV por assinatura.

Será que com interatividade, a possibilidade de multiprogramação e principalmente uma imagem e som com excelente qualidade as pessoas não irão optar por deixar de pagar mensalidade para as operadoras de TV a cabo? Eu aposto que pelo menos uma parte sim.

A pesquisa da ABTA apresentada nesta quarta-feira (27/06) mostra que 64% da audiência busca diversidade de canais, o que de fato seria uma razão para que mantivesse a fidelidade ao serviço. Entretanto, outro executivo com quem conversei há algum tempo disse que existem muitas pessoas de grandes cidades que pagam pela televisão por assinatura porque a quantidade de prédios impede que o sinal chegue com qualidade. Eles pagam, então, para não ter imagens com chuviscos e ruídos. Entretanto, com a TV Digital isso se resolve e esse grupo possivelmente deixará de pagar.

O fator interatividade é complementar, porque com mais uma chance de entretenimento fica dispensável ter a oferta de tantos canais. A propósito, conheço muitas pessoas que afirmam pagar pela TV apesar de assistir sempre aos mesmos canais. Mais um item que poderia motivar a saída desse público do grupo de pagantes – o que acentua o problema diante do fato de que dos 6 bilhões de reais de receita do setor, apenas 500 milhões de reais vem de anúncios.

Considerando as questões acima, a única resposta que eu não esperava ouvir da ABTA é de que “seguramente a TV Digital não nos atingirá”, conforme declarou Annenberg. A curiosidade sobre o desenrolar de tudo isso, no entanto, deverá demorar no máximo mais duas edições do relatório Mídia Fatos, que reúne informações do crescimento do mercado de TV paga no Brasil e que revelou hoje as informações referentes a 2006.

Você já tem um palpite?

Junho 26, 2007

Há algum tempo a indústria evita a tarefa de responder a perguntas sobre o preço do receptor do sinal de TV Digital (o set up box). O resultado disso é uma enorme quantidade de valores ditos e muita incerteza por parte dos consumidores, que ainda não sabem quanto terão de gastar para adquirir o produto. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou que o preço será de 100 reais. Outros executivos absolutamente duvidam desse valor, como o presidente da RF Telavo, Jakson Alexandre Soza. “É utopia, impossível custar isso, a não ser que alguém subsidie”, diz. Isso dá margem para que circulem no mercado previsões bastante superiores, como as de 700 reais e até de mais de mil reais, como já ouvi anteriormente.

O que não está sendo considerado, entretanto, é o jogo de mercado em que estão os fabricantes de set up box e televisores com receptores embutidos. A questão foi levantada pelo presidente do Fórum Nacional de TV Digital, Roberto Franco, que citou em entrevista ao COMPUTERWORLD que antes do anúncio da Samsung de um televisor com set up box interno, havia garantias de que os receptores internos só chegariam às lojas para venda em dezembro deste ano.

Portanto, o que está havendo é uma prática de “esconder o jogo”. As empresas já têm estimativas do valor do produto e sabem exatamente quais e quando esses produtos estarão prontos, mas não contam para não serem seguidas e copiadas.

A dúvida se estende para o Ginga (middleware). Nenhuma companhia anunciou até agora que oferecerá o software intermediário que permite o desenvolvimento de aplicações interativas para a TV Digital, apesar de o sistema estar pronto. O que ainda não se pode afirmar é que no começo da transmissão do sinal, em dezembro de 2007, não haverá interatividade, como garantem alguns jornais. A questão da estratégia das empresas precisa ser levada em conta antes de qualquer afirmação.  E, apesar disso, conforme prevê Soza, da RF Telavo, “muita gente vai comprar o set up box na hora em que a TV Digital entrar no ar sem se preocupar com o preço”.

Dessa forma, pergunto: você já tem um palpite de quanto vai custar o set up box e se haverá ou não interatividade já no começo das transmissões do sinal de TV Digital?

Não compre televisor, mesmo depois da TV Digital

Junho 24, 2007

Embalada pelas demonstrações dos fabricantes citadas no post anterior, alerto: comprar televisão de alto padrão pode ser uma grande roubada. Eis a explicação de por quê.

A evolução da tecnologia é natural. Qualquer um percebe que a velocidade dessa transformação, inclusive, é bastante acelerada. Com a TV Digital, nada será diferente.

O começo das transmissões está prometido para acontecer inicialmente para a cidade de São Paulo em dezembro deste ano. Os receptores (chamados de set up box) estarão nas prateleiras nesta data, conforme avaliam os fabricantes. Entretanto, é fundamental lembrar que – ao menos que você tenha uma conta bancária bastante recheada – não compensará comprar televisores “top” de linha tão cedo.

Isso porque, no início das transmissões, já foi anunciado que o Gimga, middleware responsável pela prometida e tão esperada interatividade, não estará embutido no set up box. Portanto, fica evidente que, em pouco tempo, você terá de trocar novamente de aparelho caso queira aproveitar os recursos de interação, conforme afirma o vice-presidente da Samsung, Benjamin Sicsú.

Com os celulares foi assim. Começaram grandes, sem muitos recursos. Hoje têm vídeos, fotos, acesso à internet e muito mais. A diferença básica, no entanto, é o quanto se paga por cada produto. Enquanto você gasta cerca de mil reais por um celular de alto padrão, com muitas capacidades, a quantidade é cinco vezes superior no caso de televisores de plasma.

Diante disso, a escolha é sua. Caso esteja ansioso em se divertir com o sinal de TV Digital, lembre-se que a melhor alternativa para acompanhar a evolução da tecnologia é comprar o set up box externo (não embutido no televisor).

Início das transmissões

Junho 23, 2007

Nesta semana e nas próximas, as empresas fabricantes de aparelhos de televisão farão as primeiras demonstrações de como será a transmissão de imagens e som na era da TV Digital. A primeira foi a Samsung, mas Gradiente e outras companhias prometem fazer o mesmo em breve.

Portanto, aproveito o ritmo de inaugurações para estrear este blog, cuja proposta é falar de TV Digital de forma franca e explicativa, para ser mais esclarecedora do que a mídia tradicional, que geralmente aborda o tema apenas com base em declarações governamentais e em promessas futuristas de tecnologia.

Como as discussões sobre o assunto vão esquentar – o começo das transmissões do sinal digital de televisão está prometido para três de dezembro em São Paulo – terá muito o que ser dito e você poderá contar com este blog para manter-se informado. Então, seja bem-vindo!